Governo diz que Moçambique registou progresso consistente no combate à malária

13 dezembro 2011

De acordo com autoridades sanitárias, apesar de avanços, a malária continua a ser a principal causa da mortalidade de crianças com menos de cinco anos e a segunda e terceira em adultos.

[caption id="attachment_208841" align="alignleft" width="350" caption="Garoto internado pela malária"]

Manuel Matola, da Rádio ONU em Maputo.

O número de óbitos devido à malária reduziu em mais da metade, nos últimos quatro anos em Moçambique, mas a doença continua a ser a principal causa de mortes em menores de 5 anos.

As autoridades sanitárias referem que o país registou progresso muito consistente no combate à malária neste período, ao reduzir em cerca de metade os casos de óbitos devido à doença.

Redução

Falando à Rádio ONU, em Maputo, o porta-voz do Ministério da Saúde de Moçambique, Leonardo Chavane, disse que os resultados obtidos são encorajadores.

“No final de 2010, foram notificados 3,2 milhões de casos e cerca de 1800 óbitos. Em termos de casos, em 2007, Moçambique tinha qualquer coisa como 6,2 milhões. Quatro anos depois  temos uma redução de quase 50% de casos de malária. Em termos de óbitos, em 2007, nos tínhamos a volta de 4,800 óbitos e 4 anos depois, há aqui uma redução bastante grande, mais do que 50% de redução dos casos. A malária ainda é uma causa importante de mortalidade em Moçambique, aliás, é a primeira causa de mortalidade em menores de cinco anos e terceira causa em adultos”, afirmou.

Grávidas

Entre 2000 e 2009, o Unicef em Moçambique distribuiu 2,9 milhões de redes

mosquiteiras tratadas com insecticidas para mulheres grávidas, crianças com idade inferior a cinco anos, órfãs e vulneráveis e pessoas vivendo com HIV.

“Temos duas estratégias de  prevenção: uma que é a pulverização intradomiciliária. Em 2010 fizemos a pulverização em 62 distritos e esperamos este ano fazer em 57 distritos. Estes distritos representam, em termos de população, 60% dos moçambicanos. São os distritos mais populosos de Moçambique. A outra intervenção é a distribuição da rede mosquiteira. Até 2008, conseguimos distribuir 1,9 milhão de redes mosquiteiras. O nosso sentimento é de que essas intervenções são bem acolhidas pela população e tem havido uma grande colaboração”.

Pesquisa

Há quase uma década que Moçambique está a pesquisar uma vacina contra a malária, cujos resultados poderão levar à sua comercialização mundial. O porta-voz do Ministério moçambicano da Saúde destaca a importância da investigação.

“As autoridades sanitárias olham para o estudo com esperança, porque qualquer resultado positivo que possa advir desta investigação vai, de certa forma, beneficiar a população moçambicana naquilo que são as medidas de prevenção da malária”, disse.

Em declarações à Rádio ONU, Helena Ernesto, uma estudante de 22 anos, residente no bairro T3, nos arredores da capital moçambicana, Maputo, partilhou a experiência da sua comunidade no combate à malária.

Limpeza

“Ao nível da família temos feito limpeza geral na casa, enquanto ao nível da comunidade temos feito limpezas mensalmente, isto é,  escolhemos um sábado de manhã e vamos a uma determinada zona para limpar o capim, charcos, porque nós tivemos muitas baixas no passado. Para evitar que isso volte a  acontecer decidimos nos unir. As casas dos idosos é onde vamos com frequência, porque temos em conta que eles não conseguem fazer uma limpeza geral. Então nós, os jovens, vamos para lá. E isso tem feito com que a malária nao se espalhe e tem diminuído muito os casos da malária”.

Dados do Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, referem que, anualmente, cerca de 36,000 crianças moçambicanas morrem de malária e cerca de 40% cento de todas as consultas externas e 60% das consultas internas nas enfermarias de pediatria devem-se à doença.

 

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