Acnur preocupada com superlotação de refugiados em Dadaab

22 julho 2011

Agência anuncia ponte aérea de ajuda de emergência; Unicef alerta para risco de morte de mais de 720 mil crianças devido à malnutrição no Corno de África.

[caption id="attachment_202087" align="alignleft" width="350" caption="Estima-se que 2,2 milhões de menores estão desnutridos"]

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

A superlotação continua a ser problema no complexo de refugiados de Dadaab e Ado Dollo, aponta o Alto Comissariado da ONU para Refugiados, Acnur.

De acordo com a agência, para facilitar o descongestionamento, nos dois acampamentos, no Quénia  e Etiópia, está a fazer uma ponte aérea de ajuda de emergência, que inclui o transporte de tendas para mais de 75 mil pessoas.

Drama

Em entrevista à Rádio ONU, de Dadaab, William Spindler,  porta-voz do Acnur,  falou sobre o drama dos refugiados no maior complexo de acolhimento do mundo, localizado no Quénia. O acampamento de Dadaab acolhe mais de 400 mil pessoas, maioritariamente provenientes da Somália.

“ O Acnur considera que é a situação humanitária mais grave do mundo. Vi imagens de crianças a sofrer de malnutrição muito, muito grave com aparência de ‘esqueletos caminhando’, incluindo adultos. As crianças estão a sofrer muito. É difícil que trabalhadores humanitários ver as crianças a sofrer desta maneira e a morrer de fome porque não conseguem obter ajuda.”

Desespero

Na Somália, cerca de 1 mil pessoas em desespero chegam diariamente à capital, Mogadíscio, em busca de ajuda, depois de fugirem da fome nas regiões mais atingidas no sul.

Cinco voos transportando quase 9 mil tendas familiares ao Quénia, o terceiro dos estoques do Acnur no Kuwait e no Paquistão, chegaran nesta quinta-feira a Nairobi. Dados da agência apontam para a chegada de mais de 20 mil deslocados, em Julho, em busca de assistência.

Fome

Mais de metade dos recém-chegados veio da Baixa Shabelle, uma das regiões onde foi declarada fome pelas Nações Unidas. Outras 2,8 mil são provenientes da região de Bakool, no sul, que também tem sido atingida pela fome.

O Fundo da ONU para Infância, Unicef, disse que quase 720 mil crianças na Somália, Quénia e Etiópia estão em risco de morte, caso não haja assistência urgente. Estima-se que 2,2 milhões de menores estejam severamente desnutridos.

A agência diz estar a preparar uma logística sem precedentes com  suprimentos e alimentos terapêuticos  na região e pede que sejam doadas grandes quantidades de medicamentos, vacinas e material de nutrição para a região.

 

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